Peixe e paixão: o comércio que movimenta a Vila Rubim

Três gerações da família Dionísio dividem os trabalhos dentro uma cabine na peixaria da Vila Rubim. Arlindo, seus filhos Arlindo Filho e Jonas e os netos Peter e Jean chegam ao mercado sempre às 18 horas, quando estacionam  nas imedições da Ponte Seca caminhões carregados de peixes e mariscos oriundos da Bahia, do Rio de Janeiro e do interior do Espírito Santo. “Daí trazemos nossos peixes aqui pra dentro e os colocamos no gelo pra montar a barraca no dia seguinte”, explica Jonas. Bem de manhã, cabe a ele e aos “meninos” o trabalho de limpar e deixar o peixe pronto para a entrega ao cliente. A cena se repete todos os dias para quase 30 peixeiros que tiram dali seu sustento. Rotina igualmente pesada tem Gedalva Aquino, a Dona Gegê, que há mais de 30 anos vende seu tempero na porta da peixaria. “Acordo todos os dias às 3 da manhã para buscar as melhores verduras e temperos na Ceasa.”

O comércio de peixes é um dos mais tradicionais no mercado (Foto: Manoella Mariano)

O cotidiano dos peixeiros e dos vendedores de tempero despende tempo e esforço. Para Gedalva , no entanto, a Vila Rubim é “tudo”. Para Arlindo Filho, a quem o Jonas se refere como “empresário”, idem. Aliás, não é difícil encontrar comerciantes com opiniões parecidas. “A Vila Rubim é minha vida, tudo o que tenho devo a ela”, diz o dono da Casa Rubim, mais antiga das lojas em atividade no mercado, Clóvis Lorencini. Os testemunhos se repetem aos borbotões. Ildeu Silva corre pra lá e para cá por detrás do balcão de seu bar, o Tia Maria. Entre um atendimento e outro, ele conta que sua história com a Vila Rubim, começada apenas em 2002, acabaria ali. Havia vendido o estabelecimento e montaria outro perto de sua casa, num bairro do município da Serra, na Grande Vitória. “Meu coração vai partido, mas fazer o que, né?”, diz, conformado e com lágrimas prontas pra escorrer sobre a face. O acalento do amigo identificado como Magaiver as dissipa.

"Tudo o que tenho devo à Vila Rubim", diz Clóvis Lorencini. (Foto: Manoella Mariano)

É como se o cheiro forte de peixe, do coentro e dos temperos embotasse não somente a roupa do corpo, mas o própria alma de cada um deles. “É uma cachaça”, diz o vendedor de caranguejos Wanderley de Almeida. Junho avança e os enfeites da Copa do Mundo começam a se espalhar pelas janelas velhas, pelas lojas e bares abarrotados e no asfalto gasto pelo intenso movimento de carros.

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  • […] uma espécie de caleidoscópio”, sentencia o psicanalista Paulo Bonates. “Onde mais é possível encontrar peixe, carne e aves? Ervas de todos os tipos, cereais, atabaque…… olha aquela imagem de São Paulo, o padroeiro dos intelectuais!”, diz o médico, com um […]

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