Entre santos e caboclos, a Vila Rubim é o lugar de todas as religiões

Não é exagero dizer que o Mercado da Vila Rubim é o maior de seu tipo no Espírito Santo. “Aqui a gente encontra coisas que até Deus duvida”, diz, aos risos, o comerciante Roque Rasseli. As hostes celestiais, aliás, são recorrentemente lembradas nas estreitas ruas do mercado. Ali se concentram algumas das principais lojas de artigos religiosos da Grande Vitória: a Yemanjá, a Casa de todos os santos, a Pena Dourada e a Oxalá. Nos corredores delas, símbolos da fé cristã ocidental, do espiritismo e das religiões afro-brasileiras.

Acostumado às guias, pembas e imagens, o católico Moisés  Santos já trabalha com artigos religiosos na Casa de todos os Santos há mais de 20 anos. Diz que não pretende ir embora.  “Só  saio daqui quando meu patrão me enterrar. Vou sair pra quê? Sou conhecido e prestigiado. Alguns clientes vem da Europa só pra comprar comigo”, gaba-se, trajando sua inseparável camisa do Corinthians.

"Só saio daqui quando meu patrão me enterrar", diz Moisés Santos. (Manoella Mariano)

Moisés pede licença para atender uma senhora morena, já de certa idade, que lhe pede “pó de arraso”. Os pós são as populares “pembas” e ali há de todos os tipos a apenas R$ 1,50: espanta vizinho, amarra marido, hei de vencer na estrada… todas elas usadas para trabalhos espirituais. Uma visita às lojas de artigos religiosos do Mercado da Vila Rubim é um convite à imersão numa cultura paralela, quase que invisível. Temida apenas por quem a desconhece. “O máximo que aconteceu aqui foi um ou outro cliente que recebeu alguma entidade, mas já sabemos como lidar com isso”, diz Moisés.

Ainda mais habituado a essa realidade, o “Pai” Dilson de Xangô é síntese do sincretismo que caracteriza o comércio religioso na Vila Rubim. Babalorixá desde 1983, Dilson assegura que, abaixo de Deus, tem solução para todos os problemas de ordem espiritual. “É preciso ter fé em nosso senhor Jesus Cristo, na Virgem Maria e, abaixo deles, nos orixás e nos bons guias de luz. E é claro, pode vir comprar aqui no mercado.”

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