A Cidade de Palha

No início era a palha. Depois o  mar, o porto, o aterro e  até cinzas. A Vila Rubim, região localizada no centro da cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, data do início do século 20 e consegue reunir, em suas estreitas ruas, culturas, credos e raças distintas.

A antiga Cidade de Palha, nome dado à Vila Rubim pela pobreza e pelos casebres que abrigavam famílias de migrantes do interior do Espírito Santo e de outros estados no início do século passado, hoje possui um movimentado mercado. Lugar que abriga, ao mesmo tempo, lojas de artigos religiosos, peixarias e galinheiros, bancas de ervas medicinais, bares, restaurantes e um bom e animado samba comandado por Raimundo Machado e seu grupo todos os sábados. Francisco Rubim, antigo governador da então capitania do Espírito Santo, não chegou a tomar conhecimento do uso de seu nome no batismo da Vila. Mandatário de uma época em que não havia eleições e muito menos democracia, o velho comandante provavelmente ficaria surpreso ao ver tanta diversidade carregando seu nome.

O desenvolvimento da Vila Rubim está ligado diretamente as transformações que a capital Vitória sofreu. Ou seria o contrário? “As principais construções de Vitória estão ao redor da Vila Rubim”, explica o presidente da Associação de Comerciantes da Vila Rubim, Renato Freixo, para completar. “Todo o desenvolvimento econômico e social na época se dava pela questão portuária. E a Vila Rubim era o local de embarque e desembarque de pequenas embarcações”. Com o passar dos anos as elites da época, concentradas na região do Parque Moscoso, abandonaram a Vila Rubim por acharem que se tratava de um lugar perigoso. Esse abandono resultou na construção do “Mercado da Capichaba”.

Entre os nomes que o mercado da Vila Rubim já teve, um merece especial atenção: o de “Coreia”. Como as mercadorias eram vendidas a céu aberto na década de 1950 e pequenas barracas dividiam os comércios, as brigas e confusões eram quase diárias, o que rendeu o apelido inspirado na guerra travada pelo país asiático. A “Coreia” teve seu fim com os aterros que secaram a Ponte Florentino Avidos na década de 70.

A partir daí, o local se firmou como o Mercado da Vila Rubim e o que antes eram tímidas barracas ganhou proporções nunca antes imaginadas, com grandes galpões para reunir seus comerciantes.  Estes mesmos, que alguns anos depois foram destruídos pelo fogo…

A Vila Rubim, assim chamada, data do início do século, quando era conhecida como Cidade de Palha, pois no local predominavam a pobreza e os casebres que abrigavam famílias de migrantes do interior do Espírito Santo e de outros estados.

6 Comments

  1. welington&claudia
    Posted 10 Jul ’10 at 13:03 | Permalink

    Parabéns, um lindo trabalho, a Vila Rubim faz parte da nossa história também

    Welington e claudia
    São Mateus

    • ilmar nascimento
      Posted 23 Jul ’10 at 16:51 | Permalink

      Parabéns,fiquei emocionada em ver as fotos da Vila Rubim,vim
      com meus pais ainda criança do interior do estado nos anos 60,meu pai trabalhou no mercado ,estudei na escola Jeni Coutinho,saudades…

  2. Rafael Toledo
    Posted 12 Jul ’10 at 15:30 | Permalink

    Parabéns Leonardo, muito orgulhoso de saber que essa sua inteligência a cada dia que passa se traduz em lindos e belos trabalhos, segue firme nessa caminhada mlk, vc só tem o céu como limite, abraço e parabéns novamente.

  3. Gabriel Duarte
    Posted 19 Jul ’10 at 15:10 | Permalink

    Muito bem escrito e editado, o trabalho traduz relevância da Vila Rubim na história de nós capixabas. Parabéns Luiz Alberto e Leonardo.

  4. fabricio aguiar
    Posted 27 Ago ’10 at 16:14 | Permalink

    oi boa tarde eu achei maravilhoso o seu trabalho da cidade de palha , ficou show de bola continue assim , eu fiquei encantado vlw… parabens….

  5. WALLACE BOMFIM
    Posted 4 Nov ’11 at 13:06 | Permalink

    Sou nascido e criado na rua São Pedro-VILA RUBIM.
    Agora inventaram um Bairro do Quadro, isso não existe. A querida Vila Rubim sempre foi cercada pelas ruas com nomes de Santos São Pedro, São Mathias, São Bartolomeu, São Felipe ,etc. e terminava no final da Rua São João. Meu endereço continua sendo VILARUBIM.
    Da minha varanda em minha infancia , vislumbrava o canal que passava sobre a ponte hoje “SECA”, era lindo. Logo ali , um mangue maravilhoso onde se pescava bons carangueijos e siris, além de peixes, é claro.
    Construida na raiz do Morro do Cabral, estava a rampa de barcos do Alvares Cabral.
    A noite ouvia-se os sons dos ultimos bondes que trafegavam, e nos embalava com aqueles sons.
    Sinto pena de vocês jovens, que vivem uma época de celulares,e PCs, quase sem a oportunidade de criar a sua própria imaginação.
    VILA RUBIM EU TE AMO.,!!!!!!!!

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